O diagnóstico por imagem na Medicina Veterinária é uma área que passa por constante atualização tecnológica e é emergente no Brasil. Um diagnóstico preciso pode salvar vidas, vidas de animais e vidas de humanos como em casos de zoonoses. Contudo, a oferta de profissionais especializados na área de diagnóstico por imagem veterinário ainda é escassa.

A legislação não obriga que somente especialistas possam realizar e avaliar exames de imagem. Isso ocasiona que médicos veterinários exerçam a função de radiologista muitas vezes sem a formação ideal. Resultado disso é a imperícia em exames de imagem. Não é diferente em outras áreas médicas como dermatologia, neurologia, clínica cirúrgica, etc. Logicamente, que uma pessoa não necessita ser especialista para possuir o devido conhecimento de determinada área. Muitos profissionais não possuem títulos, mas conhecimento condizente com especialista. Por outro lado, são minoria.

1. Laudo confiável

Primeiramente, laudo significa “documento no qual peritos expõem as conclusões de seus estudos acerca de determinada perícia”. Então, fica a pergunta: qual o ponto de se obter um laudo de um profissional o qual não é qualificado ou classificado como perito e, portanto, não tem formação e experiência na área de diagnóstico por imagem?

Outra definição para laudo é: “um relatório emitido após um diagnóstico”. Como um profissional, não qualificado ou especializado, vai conseguir interpretar e avaliar o possível diagnóstico se o mesmo não demonstra treinamento para extrair o máximo do exame de imagem?
Depositar confiança em um profissional não especializado pode trazer riscos a saúde do seu animal de estimação.

O diagnóstico por imagem é uma especialização médica e médica veterinária recente e, por essa razão, se atualiza e inova constantemente. Essa área médica é extremamente importante e decisiva na rotina médica.

Os médicos veterinários especialistas em diagnósticos por imagem possuem formação, experiência e conhecimento para avaliar os exames de imagem, sejam eles das diferentes modalidades de imagem radiografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e etc. Portanto, a interpretação do exame descrita no laudo é confiável baseada na literatura científica.

O treinamento de um profissional de diagnóstico por imagem baseia-se em obter o máximo de informação por meio das imagens obtidas no exame. Com isso, o radiologista (ou especialista em diagnóstico por imagem) possui conhecimento de diversas áreas da medicina – clínica médica, clínica cirúrgica, oncologia, patologia clínica, neurologia, endocrinologia, geriatria entre outros – oferecendo uma visão holística e global do paciente sintetizando essas referências no laudo.

Você gostaria de ter seu exame de imagem avaliado por uma pessoa não especializada no assunto? E o exame do seu animal de estimação?

Na medicina humana isso não é tão comum, contudo, na medicina veterinária isso é, ainda e infelizmente, comum no Brasil. Em outros países como o Canadá, Estados Unidos e países da Europa, a realidade do diagnóstico por imagem veterinário é diferente. Inclusive, por mais triste que seja, na medicina veterinária, muitas vezes, exames de diagnóstico por imagem não possuem laudo.

2. Técnicas de imagem apropriadas

A fim de obter e extrair o máximo de informação dos exames de imagem, radiologistas são rigorosos com as técnicas de exame. Sejam nas diferentes modalidades de diagnóstico por imagem, é sempre importante que o aparelho de radiografia, ultrassonografia, tomografia ou ressonância estejam regulados para o exame do paciente. Cada caso é um caso, cada paciente é um paciente, e os aparelhos devem ser ajustados para o exame de cada indivíduo.

Por exemplo, a técnica que se utiliza para radiografar um fêmur de um pinscher é diferente do que para um fêmur de um dogue alemão – mesma estrutura com diferente técnica radiográfica. Parece simples? É simples, mas basta conhecer um pouco da realidade da medicina veterinária para se deparar com exames realizados incorretamente.

Outro ponto seria quanto à orientação correta para a realização do exame. Como por exemplo, em determinados exames, é necessário que o paciente seja submetido a um jejum adequado, bem como posicionamento, sedação ou anestesia geral. Isso é um ponto importante para especialistas em imagem, o quais tendem a serem rigorosos com essas orientações – já em um serviço não especializado isso não é tão importante.

3. Custo/Benefício

A maioria dos exames de diagnóstico por imagem possuem preços similares entre os estabelecimentos veterinários. Resumindo, um exame realizado por um especialista custa, ao proprietário, o mesmo valor que um exame realizado por alguém que não possui treinamento e formação adequada para avaliar corretamente o exame – obtendo o máximo de informação do mesmo.
Como assim? Um serviço especializado cobra o mesmo que um que não é especializado? Sim. Isso mesmo.

E por incrível que pareça não é o especialista que cobra um preço mais barato, mas sim o não especialista, o não qualificado que cobra o preço de um serviço especializado por um serviço desqualificado.

Logicamente que, existem também, os serviços mais baratos que costumam deixar a desejar em quesitos quanto à técnica de obtenção de imagem, avaliação e laudo. Costumeiramente, esses serviços são ignorados – pela carência e deficiência diagnóstica – por médicos cirurgiões e clínicos veterinários que não conseguem obter as informações diagnósticas necessárias para continuar o caso, culminando em ter que realizar um novo exame com alguém capacitado para fornecer as informações diagnósticas.
Ou seja, o famigerado “o barato sai caro” se aplica na área de diagnóstico por imagem veterinário bem como uma frase famosa de Derek Bok: “Se você acha que a educação custa caro, tente a ignorância”

4. Tempo

Você já pensou em ter que repetir aquela endoscopia porque a primeira “não foi muito boa”?
Isso de certo forma pode acontecer em determinadas ocasiões. Para aqueles já submetidos a uma endoscopia, sabem que é um evento fatídico. Tanto pela preparação do exame, quanto ao exame em si.

Da mesma forma, um exame de imagem mal realizado deve ser repetido. Isso pode consumir mais o seu tempo, bem como seu dinheiro.
Realizar um exame com um conhecedor do assunto diminuem as chances de ter que se repetir o exame por falhas técnicas – maximizando o tempo do proprietário.

5. Segurança para a saúde do seu animal de estimação

Os pontos abordados acima indicam que a realização de exames de imagem com um especialista é fundamental para a segurança da saúde do seu animal de estimação.

Muitas vezes, pequenas alterações em um exame de imagem podem representar uma séria enfermidade. O radiologista é treinado para entender e identificar essas alterações e assim, possivelmente, conseguir obter um diagnóstico para o seu animal de estimação.

É importante que o proprietário de um animal de estimação tenha conhecimento quanto aos prejuízos que pode se obter de um exame de imagem mal realizado. Não é raro, que colegas veterinários peçam uma segunda opinião, para o radiologista, de um exame realizado por outro colega não especialista. Isso é, infelizmente e de certa forma, comum na rotina de um radiologista – avaliar exames de outros colegas a pedido do clínico ou cirurgião – pois o exame gera dúvida na análise e na obtenção da imagem.

Essa dúvida, provavelmente, não existiria caso o exame tivesse sido avaliado primeiramente pelo radiologista.

6. Indicação de outros exames

Um especialista em diagnóstico por imagem domina as indicações de diversas modalidades de imagem, indicando quando necessário, a mais ideal para avaliar o paciente e sua enfermidade.

Por exemplo, um exame radiográfico não é o mais indicado para avaliação do fígado. Se um paciente apresenta um fígado aumentado no exame radiográfico, o radiologista indica ao clínico veterinário a realização de um exame ultrassonográfico para melhor avaliação desse paciente. Parece simples e elementar, mas frequentemente, quando esse exame não é realizado por um especialista, nem mesmo a alteração hepática radiográfica será identificada e muito menos será indicado um exame complementar ao paciente.

Esse texto espera retratar um pouco da realidade de alguns profissionais com formação e atuação em diagnóstico por imagem. Não tem por objetivo generalizar a classe médica veterinária e nem especialistas em diagnóstico por imagem.